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O homem da floresta :: Depoimentos sobre Chico

Prof. Manoel Estábio Cavalcante da Cunha*


Como conheci Chico Mendes

Na ocasião em que conheci Chico Mendes, em meados de maio de 1980, fazia alguns meses que eu tinha vindo morar no Acre. Ele era vereador, havia sido eleito pela Tendência Popular do MDB na eleição de 1976 e , com o fim do bi-partidarismo, estava ajudando a estruturar o Partido dos Trabalhadores - PT. Quase todos seus fundadores aqui no Acre eram militantes das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs. Quem não era, com certeza tinha algum tipo de inserção junto a elas, como era o caso do então delegado da CONTAG, João Maia, da professora Célia Pedrina e do Pedro Marques da Cunha, advogado da CONTAG, que era cotado para ser o candidato a governador pelo PT nas eleições 1982 mas fora baleado e travou um tiroteio com o suspeito de ser o mandante do atentado, um certo Manoel Ferreira, que também saiu ferido. Após este episódio, que ocorreu em 10 de fevereiro de 1982, às 7:30' Pedro Marques retornou para o Ceará.
Havia também o Abrahim Farhat que, mesmo não sendo um católico militante das CEBs, sempre teve uma atuação política e religiosa ecumênicas, dialogando com todas as tendências e correntes de pensamento progressistas.
Fundador do PT sem vínculos nas CEBs só mesmo o Antônio Manoel Camelo, ainda assim conseguiu arrebanhar o Osmarino Amâncio e Aníbal Diniz para suas posições trotskistas, em 1981, quando estes iam iniciar o noviciado nos Servos de Maria.
Chico Mendes tinha vindo a Rio Branco para dar encaminhamento às demandas de estruturação do PT, e fora almoçar no convento São Sebastião da Ordem dos Servos de Maria onde eu fazia o noviciado.
Padre Otávio Destro, mestre do noviciado, havia sido pároco de Xapuri, juntamente com padre Cláudio Avalione, então vigário daquela paróquia, convidaram o Chico Mendes para ir ao convento discutir conosco sobre as questões fundiárias, pois ele ajudava o pessoal da oposição do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri - STR, que tentava afastar o presidente que andava "pelegando", como dizia o pessoal insatisfeito com sua política de conciliação em relação aos fazendeiros.


Chico Mendes e a militância partidária e sindical

Naquele momento era praxe convidar lideranças políticas partidárias, sindicais e dos movimentos populares e sociais para participarem dos programas de formação de quadros católicos, pois vivia-se sob o paradigma da Teologia da Libertação, que advogava a inserção dos agentes de pastoral, sobretudo dos religiosos e do clero, na história do povo de Deus.
Cheguei ao Acre em 13 de fevereiro, estava fazendo portanto, menos de três meses. Fiquei completamente fascinado com as histórias que o Chico contou. Ele fora eleito pela Tendência Popular do MDB, que reunia quadros de esquerda proibidos de organizar "partidos ideológicos", como diziam os seguidores do regime militar.
Com a quebra do bi-partidarismo, o MDB transformou-se no PMDB, ocorrendo, em todo o país, uma diáspora da maioria de seus quadros de esquerda. Esses militantes dissidentes, em sua maioria foram ajudar a construir o PT.
Os militantes dos Partidos Comunista do Brasil - PC do B e Comunista Brasileiro - PCB, que com o fim do bi-partidarismo não foram permitidos de ter existência legal, resolveram permanecer ainda no PMDB.
O Chico contava que naquela conjuntura os demais membros do movimento sindical e das CEBs em Xapuri tinham feito uma opção favorável à construção do PT mas, como ele havia sido eleito pelo MDB, esses companheiros deixaram-no à vontade e livre para permanecer no PMDB. Todavia ele avaliava que a feição conservadora que se afigurava no PMDB de um modo geral, e em particular no Acre, iria limitar e até colocar impecilhos nas lutas dos trabalhadores. Por outro lado, ele não se enquadrava nos moldes clássicos de militância, organização partidária e sindical adotados pelo PC do B e PCB, razão pela qual fizera também a opção por ajudar a construir um novo partido.
Acerca das questões fundiárias, falou que estavam vivendo em Xapuri grandes embates com a fazenda Bordon, que era, naquele momento, quem dava a senha na investida contra a floresta para a realização das grandes derrubadas que convertiam grandes áreas da floresta em pastos para gado bovino, sempre a um custo humano muito alto pois as derrubadas redundavam em violências, mortes e expulsões de dezenas de famílias para as periferias de Rio Branco.
Também engajei-me na luta de construção do PT, por isto, durante o resto do ano de 1980, passei a encontrar-me freqüentemente, com Chico Mendes aqui em Rio Branco.
Em 1981, ao terminar o noviciado, fui transferido para Xapuri e ali fiquei ainda mais próximo de suas lutas. Passei a ajudá-lo em várias tarefas, tanto as específicas de vereador, quanto as demandas de organização do PT e de restruturação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que desde a sua fundação em 1978 tinha o mesmo presidente, senhor Luís Damião, que acomodou-se e não dava respaldo às lutas travadas pelos seringueiros contra os latifundiários, muito pelo contrário, em muitas ocasiões assumia posições contrárias ao movimento.
Em 1982 eu deixei a Ordem dos Servos de Maria. Foi o ano que o PT enfrentou suas primeiras eleições.
Chico Mendes saiu candidato a deputado estadual e eu passei a ajudá-lo na campanha. Foi uma campanha difícil sob todos os aspectos: a Polícia Federal vigiava de perto qualquer ação que realizávamos. Certa vez, no final de 1981, o José Genoíno, antes de eleger-se deputado federal pela primeira vez, esteve em Xapuri e o Chico organizou um debate com os trabalhadores rurais na Câmara de Vereadores. O delegado de polícia, na maior sem cerimônia, leva um policial federal disfarçado, a quem apresenta como sendo colega seu de Rio Branco que queria participar do debate. O Chico Mendes diz que tudo bem. Quando o Genoíno inicia sua fala, o cara, meio sem jeito, tenta, disfarçadamente, ligar um gravador. Aí Genoíno diz que não se preocupe, que pode tirar o gravador e colocá-lo sobre a mesa, pois o que irá falar não são coisas que só pronunciem na clandestinidade. O policial fica fulo da vida e sai do recinto.
Todavia, o que mais obstruiu a ascensão de Chico Mendes naquelas eleições à condição de deputado estadual, foi a vinculação dos votos, artifício que o governo militar, em seus estertores, inventou para assegurar a eleição de bancadas de direita, e garantir mais sobrevida à sua existência que, desde 1974 vinha sendo questionada através das eleições sucessivas de bancadas parlamentares de oposição.
Com este artifício da vinculação de votos o eleitor era obrigado a votar em todos os candidatos de um mesmo partido, isto é, quem votasse num candidato a deputado estadual do PT, tinha também que votar no candidato a deputado federal, a senador e a governador, também do Partido. Isto prejudicou muito a candidatura do Chico Mendes que já naquele momento despontava como liderança regional, conseguindo penetrar suas idéias e angariar simpatias entre estudantes e intelectuais de Rio Branco.
Muitas dessas pessoas, algumas até que atualmente estão no PT, naquele momento eram simpáticas ao Chico, mas não eram petistas e, para erradicar qualquer possibilidade do ex-governador Jorge Kalume se eleger e assim garantir sobrevida aos que davam sustentação à ditadura militar aqui no Acre, preferiam votar em Nabor Júnior.
Com esta tendência ao voto útil, em função da vinculação dos votos em candidatos de um só Partido, Chico Mendes não se elegeu. Ficou na primeira suplência. Foi eleito o Ivan Meio, lá de Cruzeiro do Sul.


Chico Mendes e as lutas em torno da concepção e estruturação das Reservas Extrativistas - RESEXs

A partir de 1983 Chico Mendes deixou de ter mandato parlamentar. Passou então a uma militância exclusiva no STR. Só que não se elegera presidente como muitos imaginam.
Em 1981 a oposição sindical consegue afastar o Luís Damião da presidência do STR e eleger a Dercy Teles, presidente. Foi um feito inédito, era a primeira mulher na Amazônia a conseguir este intento.
Embora curto, seu mandato foi de apenas um ano e meio, sua gestão foi muito fecunda e marcou um momento de intensa organização e combate aos latifundiários. Além de um enfrentamento conseqüente das lutas, ela organizou todas as delegacias sindicais que estavam desarticuladas em função da administração desastrosa de seu antecessor. Isto tudo demandava um esforço titânico pois, diferentemente do que ocorre no presente momento, tudo tinha que ser arcado somente com os parcos recursos da contribuição dos sócios. Não se contava, como ocorre hoje, com ajuda financeira de projetos.
A sede do STR funcionava, provisoriamente, desde sua fundação, num espaço cedido pelo poder público.
Como Dercy fora militante das CEBs, conseguiu com o Dom Moacir Grechi a doação do terreno onde agora o STR tem sua sede própria. Os materiais para a construção do prédio foi quase totalmente conseguido em sua gestão através de campanhas com os sócios. Coube ao seu sucessor, tão somente, administrar a edificação da obra.
A Dercy não quis concorrer a reeleição, muito embora todos o desejassem. Em setembro de 1982 ela foi trabalhar no Projeto Seringueiro. Seu sucessor foi Osmar Facundo de Oliveira. Ocorre que este companheiro elegeu-se vereador pelo PT, o primeiro da história do Partido no Acre, e o Chico Mendes então assume sua vaga, ficando à frente do STR e recebendo assessoria do Projeto Seringueiro que destinou o Ronaldo Oliveira e eu para ajudá-lo nos trabalhos de organização e mobilização de bases e Mary Allegrete para os contatos e mobilização externos. Havia, assim, uma divisão de trabalhos de forma que eu e o Ronaldo ficávamos responsáveis pela organização sindical e cooperativismo e a Mariete, mais a Dercy pela escola e o posto de saúde.
A partir de 1983 registra-se uma expansão no número de escolas e de núcleos de compra e venda comunitária, que foi um embrião de cooperativa no município. Estes trabalhos, como já dissemos, eram de responsabilidade do Projeto Seringueiro e se iniciaram no ano de 1981 no seringal Nazaré, na colocação Já Com Fome. No início havia somente uma escola, um miniposto de saúde e um núcleo de compra e venda comunitária, onde trabalhavam o Ronaldo Oliveira, eu, a Dercy Teles e a Marlete Oliveira. Estas ações fortaleciam a mobilização dos seringueiros e criavam as condições para que o movimento fizesse as propostas de estruturação das RESEXs com base em ações concretas.
Em 1983 acontece o primeiro curso com, e para professores seringueiros. Deste curso há um salto quantitativo das escolas. Passa de uma no Já Com Fome para 6 (seis) que são criadas nos seguintes seringais: Floresta uma, na colocação Rio Branco; Boa Vista duas, uma na colocação Pimenteira e outra na colocação Caboré; São Pedro, uma na colocação Itapissuma; Nazaré, uma na colocação Deserto e Nova Esperança, uma na colocação Mato Grosso. Os trabalhos de compra e venda são também expandidos para o Caboré, o Rio Branco e a Itapissuma.
Aqui inicia a materialização daquele prognóstico que o Chico Mendes fizera ao largar o MDB em 1980.
Em 1983 o João Maia deixa o PT e passa para o PMDB.
Em 1984 ele assume uma Assessoria Especial para Assuntos Ligados aos Trabalhadores. Esta pasta, até então inexistente, fora criada somente para abrigá-lo, e ele recebe a incumbência de minar a resistência sindical organizada dos trabalhadores rurais. É um momento de intensa cooptação de lideranças sindicais. Somente o STR de Xapuri permanece com uma diretoria que não sofre ingerências do PMDB.
Chico Mendes sofre várias tentativas de cooptação. O PMDB oferece-lhe a coordenação do núcleo da Secretaria do Desenvolvimento Agrário em Xapuri. Claro que ele não aceita e passa a ser cada vez mais hostilizado pelo Palácio Rio Branco e pelo vereador Vanderlei Viana, do PMDB de Xapuri, que lhe faz uma oposição ostensiva, raivosa e histérica, muitas vezes recorrendo a expedientes vis e infames, como as acusações que Chico Mendes se vendera para a Bordon, num acordo firmado em São Paulo, na matriz da empresa e que malversara recursos liberados pela OXFAM para realização de cursos para delegados de base.
Com o festival de cooptação de sindicalistas rurais promovido pelo Palácio Rio Branco, o PMDB consegue ter todas as diretorias sindicais, sob seu domínio com exceção da de Xapuri.
Todavia, no vale do Acre há uma oposição sindical atuante que não deixa os pelegos à vontade. Em Rio Branco ela é liderada pelos companheiros Matias, Ancelmo Amâncio e Leovigildo. Em Sena Madureira pelo Elias e em Brasiléia pelo Osmarino Amâncio. O STR de Plácido de Castro é desmembrado do de Rio Branco e elege uma diretoria que também não sofre a influência do PMDB.
O Centro dos Trabalhadores da Amazônia - CTA, que é fundado em março de 1983 em Xapuri, na residência do Chico Mendes, organiza o 1º Encontro Estadual de Delegados Sindicais de Base, no período de 26 de setembro a 2 de outubro. Este encontro foi muito importante para articular as oposições sindicais pois em 1984 é criada a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Acre - FETACRE e o João Maia e seus sindicalistas dóceis ao Palácio Rio Branco preparavam um rolo compressor para esmagar a oposição. Eles tiveram uma grande surpresa: Chico Mendes forma uma chapa, concorre e quase bate o candidato chapa banca, Pedro Castilho, que ganhou pela diferença de apenas um voto. Este feito firmou cada vez mais Chico Mendes como referência de combatividade sindical.
A luta dos extrativistas passou a ter, incontestavelmente, sua maior expressão em Chico Mendes. Até 1984 esta luta centrava-se na oposição e rejeição aos modelos que fazendeiros sulistas, que aqui eram denominados de "paulistas", mais os poderes públicos, através do governo central e estadual tentavam impor. Esses "novos" modelos eram "apresentados" a partir de uma premissa básica de negação do modelo antigo, centrado no aviamento pelo barracão e no baixo emprego de tecnologias nas atividades extrativistas. Em razão disso propunham sua substituição pela grande pecuária extensiva e pelos Projetos de Assentamentos Dirigidos - PADs.
Da parte do movimento também havia uma negação do modelo arcaico de extrativismo. Estava claro para nós que ele não era a oitava maravilha do mundo. Além do mais fora opressor dos seringueiros e não desenvolvera a região. Nós não advogávamos sua continuidade. Queríamos ele morto e sepultado. Porém, uma coisa de positivo ele tinha em relação aos "novos" modelos apresentados pelos seus opositores de ocasião, pois, com exceção dos "paulistas", os amazônidas que o criticavam eram os mesmos que o sustentavam até bem pouco tempo. Esta coisa positiva era o fato dele ter conservado a integridade física e a biodiversidade dos seringais, isto é, o extrativismo clássico, diferentemente da grande pecuária extensiva ou da colonização, não realizara a conversão da floresta em pasto ou roçados de monoculturas.


A conjuntura atual e o legado de Chico Mendes

A importância fundamental e determinante de Chico Mendes nessa luta foi exatamente a de ter desempenhado o papel de intérprete dos anseios dos trabalhadores extrativistas que vivem isolados na imensidão da floresta. Ele soube, captando esses anseios, na interação com intelectuais que pensam alternativas econômica e ecologicamente reais e exeqüíveis para a Amazônia, ajudar a compor um modelo alternativo que passou a ter penetração e aceitação nos meios acadêmicos, políticos e até nos econômicos.
Até então os opositores do movimento de seringueiros acusavam-nos de querermos a perpetuação do atraso econômico e social dos seringueiros. Alguns manifestavam opiniões bem contundentes e preconceituosas contra os seringueiros, como a seguinte: "A única diferença entre um macaco e um seringueiro é que este último desceu da árvore". Para os que assim pensavam, qualquer tentativa de construir uma economia de base florestal era taxado de estar querendo a manutenção do atraso.
Chico Mendes conseguiu dar peso e consistência ao anseio histórico de seu povo. E isto foi feito a partir da elaboração de uma proposta concreta de alternativa de desenvolvimento econômico com preservação ambiental, sistematizada na figura jurídica, até então inexistente, das RESEXs.
Em 1985, mesmo estando concorrendo à eleição para a prefeitura de Xapurí Chico Mendes esteve sempre à frente, junto com outros militantes e intelectuais assessores do movimento, da preparação do 1º Encontro Nacional de Seringueiros, onde seria apresentada para os representantes de extrativistas dos outros estados da região amazônica, a idéia das RESEXs, gestadas a partir das experiências e embates do SRT de Xapuri contra a conversão da floresta em pastos ou grandes monoculturas.
Nova peça do destino contra o Chico Mendes. Por estar afastado do movimento para concorrer às eleições para prefeito, ele participou do 1º Encontro Nacional de Seringueiros na qualidade de convidado, não podendo votar nem ser votado. Isto o impediu de ser eleito primeiro presidente do Conselho Nacional de Seringueiros - CNS, que foi criado naquele encontro. O eleito para tal função, era um estranho ao movimento e que nem seringueiro era.
O elemento que passou a ocupar a importante função de representante dos seringueiros, como presidente do CNS era um sujeito complicado, de difícil trato e até com problemas de ordem ética. Para se ter uma idéia, ele atribui a si a autoria do Hino dos Seringueiros, e muitos pensam que o seja deveras, haja vista estar disseminado em várias publicações. Na verdade a autoria verdadeira do hino é do Sebastião, um seringueiro lá do Rio Jutaí, no município de Jutaí no estado do Amazonas. Essa pessoa em nada contribuiu de positivo para o avanço e fortalecimento do movimento e de suas lutas. Em menos de dois anos, em razão das ações desastrosas dessa figura, o CNS entra em crise, fica acéfalo e o Chico Mendes é nomeado para assumir sua presidência.
Confirmava-se uma avaliação de alguns assessores que defendiam que ele deveria priorizar a organização do movimento, haja vista que nesse metier era inigualável, pois transitava com desenvoltura tanto entre os seringueiros do Alto Tejo, ou do Alto Xapuri quanto entre os burocratas de Brasília, ou os ecologistas do Rio de Janeiro ou os executivos do Banco Mundial, em Nova York.
Em 1987 fui trabalhar em Carauari, município amazonense localizado no médio Juruá. Dei continuidade ao que já fazia aqui no Acre, isto é, trabalhava com educação e organizava o núcleo municipal do CNS, cujos conselheiros municipais eram os companheiros Gracias e José Seringueiro. Foi um trabalho cujos resultados pode-se aferir atualmente pela conquista de uma nova RESEX decretada naquele município.
A última vez em que estive com o Chico Mendes foi em setembro de 1988, numa reunião da diretoria do CNS com seus assessores. Esta reunião aconteceu no município rondoniense de Ariquemes. Dentre outras coisas ela foi convocada para avaliar e traçar novos rumos para a direção do CNS, haja vista que o presidente eleito vinha causando sérios transtornos à entidade. Nesta reunião foi decidido que Chico Mendes assumiria a presidência provisoriamente até a realização do 2º Encontro Nacional de Seringueiros que aconteceria no ano seguinte aqui em Rio Branco. Coube a mim, mais os conselheiros de Carauari e o próprio Chico Mendes, irmos a Manaus comunicar esta decisão da destituição do presidente, uma vez que ele fora convidado ao encontro de Ariquemes e não comparecera.
Aconteceu um imprevisto com Chico Mendes e ele não pode ir a Manaus, de forma que cumprimos a missão dada a nós sem a sua presença.
Em 22 de dezembro deu-se a tragédia: Chico Mendes é assassinato. Eu soube desta triste notícia no dia seguinte ao fato. Estava na comunidade do Gumo do Facão realizando trabalhos de mobilização dos companheiros em vistas de sua organização para decretação da RESEX.
No Amazonas as distâncias são muito grandes de forma que quando cheguei na cidade, o padre João Derikx, meu companheiro de luta e amigo e aliado de Chico Mendes, contou-me mais detalhes do triste fato, pois o Gomercindo havia ligado para nos avisar no mesmo dia do trágico acontecido.
Nas correspondências que chegaram pra mim durante minha viagem de trabalho, havia um cartão de Natal que Chico Mendes postara alguns dias antes de ser assassinado. Ele desejava-me feliz Natal e rogava que o espírito natalino nos encorajasse e fortalecesse para seguirmos firmes lutando em favor da decretação de mais RESEXs na Amazônia.
O assassinato de Chico Mendes, embora não tenha derrotado o movimento, deixou-o contudo, bem desnorteado. Sua partida prematura deixou um grande vácuo. Não obstante não haver surgido nenhuma outra liderança com suas características e carisma, os que o sucederam na luta deram continuidade às suas batalhas pela estruturação e efetivação das RESEXs.
Como as lideranças pós Chico Mendes não têm a mesma desenvoltura que ele tinha na interlocução com os agentes externos ao movimento, principalmente em relação as ações oficiais que devem garantir a efetivação e extensão das conquistas já alcançadas, o poder público, sobretudo o INCRA, responsável pelos Projetos de Assentamentos Extrativistas e o IBAMA, responsável pelas RESEXs, através do CNPT, mais uma gama de técnicos e burocratas de matizes municipal, estadual e federal, se perdem nos meandros da burocracia, do oficialismo, da politicagem e do tecnicismo, e passam a tratar os assuntos relacionados aos extrativistas, mais ou menos como faz a FUNAI em relação aos povos indígena, isto é, tutelam e amarram as possibilidades de maiores avanços.
O movimento, por sua vez, passa por um refluxo e está como quê anestesiado e não consegue, como Chico Mendes o fazia com maestria, romper com maior firmeza este estado de coisas que pode estrangular e asfixiar sua auto-afirmação.
É preciso apropriar-se do espírito combativo e empreendedor que caracterizavam Chico Mendes e semeá-lo em meio do movimento. Não existe salvação, quer seja através de benesses do Estado, ou da ação isolada dos sujeitos. O próprio Chico Mendes era porta voz de um movimento fecundo cuja gênese remonta o final da década de 70, e que teve muito mais personagens. Este movimento tem que reagir com mais firmeza aos novos desafios que lhes são impostos para não ser relegado à dormência e letargia que podem paralizá-lo e comprometer as conquistas já alcançadas.

*Educador popular, coordenador de educação do Projeto Seringueiro, programa de educação desenvolvido pelo Centro dos Trabalhadores da Amazônia - CTA, com trabalhadores extrativistas.

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07 de Dec , 2007

Semana Chico Mendes 2007

A memória da luta de Chico Mendes continua viva em cada ação que respeita a floresta e seus moradores e a cada semente plantada. Assim ele revive na cabeça da juventude que se preocupa com a qualidade de vida do planeta.
A semana Chico Mendes 2007 está integrada ao ano Chico Mendes, que em 2008 marca os 20 anos do seu assassinato. Durante o ano haverá diversos eventos.
Vamos continuar a luta para manter viva a memória do Chico!
Clique aqui para a programação da semana Chico Mendes 2007 em Rio Branco, Xapuri e Brasiléia. (arquivo pdf)

Publicado por: em Dec 07, 07 | 7:22 pm


30 de Mar , 2005

Medalha Chico Mendes de Resistência

Criada, em 1988, por iniciativa do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, a Medalha Chico Mendes de Resistência foi pensada quando o Exército, lembrando os vinte anos do golpe militar de 1964, homenageou com a Medalha do Pacificador, notórios elementos ligados ao aparato de repressão. Estas homenagens realizaram-se no DOI-CODI/RJ, local famoso pelas torturas e assassinatos ocorridos durante os chamados anos de chumbo.
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Publicado por: em Mar 30, 05 | 12:31 pm


13 de Dec , 2004

Chico Mendes na melhor idade

Elson Martins

O líder seringueiro, sindicalista e ativista
ambiental Francisco Alves Mendes Filho,
o Chico Mendes, completaria 60 anos de
idade no próximo dia 15.
Foi assassinado, entretanto, aos 44,
em sua casa na pequena cidade
de Xapuri, no Acre, no dia 22 de
dezembro de 1988.
Sua morte deixou muita saudade,
indignação e pranto, mas repercutiu
em defesa da Amazônia
e dos povos da floresta.

Leia texto na íntegra...
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Publicado por: em Dec 13, 04 | 1:23 pm


SEMANA CHICO MENDES 2004

No dia 15 de dezembro de 1944 nasceu em
um seringal de Xapuri, no Acre, uma criança
que quarenta anos depois teve seu nome
conhecido e reconhecido em todo
o planeta Terra.
Neste fim de ano de 2004, Francisco Alves
Mendes Filho, o CHICO MENDES,
completaria sua melhor idade...
Mas apagaram seus olhos, antes que
pudesse ver e festejar o bom resultado
da luta que liderou.
Antes de ir, porém, ele deixou escrita
uma bela mensagem para os jovens do
presente e do futuro.

Programação da Semana...

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Publicado por: em Dec 13, 04 | 12:58 pm


30 de Dec , 2003

Xapuri retoma história épica e lúdica

A cidade de Xapuri reencontra-se com sua identidade e se transforma sem perder substância. Foi a idéia que passou às pessoas que a visitaram na semana passada, durante a programação dos 15 anos da morte do líder seringueiro Chico Mendes.
Leia a integra do artigo do Jornalista Elson Martins clicando no ícone “Ler Notícias”.

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Publicado por: em Dec 30, 03 | 8:23 pm


18 de Dec , 2003

Lançamento da vinheta da Campanha Contra a Biopirataria

Foi lançada dia 16 de dezembro, no Teatro Hélio Melo em Rio Branco (AC) a vinheta da Campanha Contra a Biopirataria “Cupuaçu é Nosso”. O Evento fez parte da programação da Semana Chico Mendes e teve início às 19:00h com uma Mesa Redonda com tema “Diálogo dos Saberes: Ciência e Tradição na Floresta”.

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Publicado por: em Dec 18, 03 | 12:09 pm


Entrevistas

A página da Internet da Agência Brasil ( www.radiobras.gov.br )
setor de "Especiais", disponibiliza diversas sonoras de entrevistas
realizadas com pessoas ligadas a Chico Mendes, que estão sendo apresentadas
nos programas Revista Amazônia e Sons da Amazônia, numa produção de Cleide
de Oliveira e condução de Eduardo Mamcasz, os dois da Rádio Nacional da
Amazônia.

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Publicado por: em Dec 18, 03 | 12:03 pm


10 de Dec , 2003

Semana Chico Mendes em Porto Alegre


A Prefeitura Municipal de Porto Alegre promove de 13 a 21 de dezembro, a Semana Chico Mendes. O evento ocorrerá em comemoração ao aniversário de doze anos do parque e lembrará os 15 anos sem Chico Mendes.

O Parque Chico Mendes está localizado na zona norte de Porto Alegre, Rua Irmão Ildelfonso Luis 240, entre os bairros Jardim Leopoldina e Chácara da Fumaça, ocupando uma área de 24,7 hectares. Foi inaugurado no dia 21 de dezembro de 1991, em referência à data da morte de Chico Mendes, ocorrida no dia 22 de dezembro de 1988.

Programação em Notícias
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Publicado por: em Dec 10, 03 | 1:45 pm


05 de Dec , 2003

Semana Chico Mendes

O Comitê Chico Mendes e outras entidades promovem entre os dias 15 e 22 de dezembro a Semana Chico Mendes com eventos em Rio Branco e Xapuri, no Acre. Acompanhe a programação em notícias.
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Publicado por: em Dec 05, 03 | 11:01 am


30 de Sep , 2003

Conferência Estadual do Meio Ambiente

Acontecerá nos próximos dias 13 e 14 de outubro, no Teatrão, em Rio Branco, a Conferência Estadual do Meio Ambiente, preparatória, inclusive com a escolha de delegados, para a Conferência Nacional do Meio Ambiente, que acontecerá no final de novembro, em Brasília.
Para o encontro que acontecerá em Rio Branco está prevista a vinda da Ministra Marina Silva e de alguns de seus assessores diretos.
A organização da Conferência está por conta do IBAMA/AC, onde podem ser obtidas maiores informações.

Publicado por: em Sep 30, 03 | 10:35 am


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