A primeira
lembrança que guardo de Chico Mendes data de dezembro de 1975. Naquele
mês e ano, eu o conheci ajudando na organização do Sindicato
dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Eram tempos muito difíceis,
em que os seringueiros, colonos e ribeirinhos viviam sobressaltados com o ronco
das motosserras e a visita de jagunços que davam prazos para que saíssem
das terras. Muitas famílias, assustadas, foram viver na cidade ou se mudaram
para a Bolívia. Outras ficaram encurraladas pelo desmatamento e pelo fogo
em volta da colocação. A impressão que se tinha era que com
os seringais do Acre vendidos para os fazendeiros do centro-sul do País
não tinha mais jeito: os povos da floresta representavam entrave ao “progresso”
que chegava com os novos pretensos donos das áreas e tinham que arribar.
O conflito, embora grave, não inquietava as autoridades federais ou
estaduais, talvez porque o Acre urbano vivia a euforia do “progresso”
anunciado. Incra, IBDF (hoje Ibama) e Delegacia do Trabalho, assim como os órgãos
da Segurança e da Justiça eram procurados insistentemente pelas
famílias expulsas e amedrontadas, mas permaneciam omissos, em parte porque
a bovinização da Amazônia era uma política da ditadura
militar. A classe política também não ajudava. Até
que, por coincidência ou não, no segundo semestre 75 surgiram pessoas
e entidades que se juntaram para se opor ao plano de bovinizar o Acre. O
economista e sociólogo João Maia da Silva Filho assumiu a delegacia
regional da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura)
em julho, começando a encaminhar denúncias e planejar uma resistência
aos abusos e descumprimentos do Estatuto da Terra. Logo se organizaram oito sindicatos
de trabalhadores rurais, contando com o de Boca do Acre, no Amazonas, e a força
dessas entidades colocou um meio termo nos conflitos. Quase ao mesmo tempo
que João Maia, eu cheguei a Rio Branco (após uma ausência
18 anos) como repórter regional de O Estado de S.Paulo para cobrir os conflitos
pela posse da terra para esse jornal nacional; o sertanista José Porfírio
de Carvalho também veio com a missão da Funai de identificar e reagrupar
os índios; Geraldo Mesquita, nomeado governador pelo regime militar, iniciou
sua gestão (75/79) mudando a política do antecessor, Wanderley Dantas,
apelidado de governador dos bois; e a Igreja de D.Moacyr Grechi intensificou a
discussão entre as 500 comunidades eclesiais de base espalhadas pelos seringais,
sobre os riscos do desmatamento dos seringais e castanhais. A Igreja, a Contag
com os sindicatos, a Funai e a imprensa (Nós Irmãos, Varadouro,
depois a Gazeta do Acre e outros) contribuíram para mudar a situação.
E lideranças como Wilson Pinheiro e Chico Mendes, entre outros, colocaram
o conflito no café da manhã das famílias da cidade. Durante
a organização do Sindicato de Brasiléia, Chico levantou suspeitas
entre o pessoal da Contag. João Maia não o conhecia, por isso estranhou
a desenvoltura com que assumia a papelada da entidade e orientava aos seringueiros.
Parecia incansável, reunindo com pessoas à sombra das árvores,
cochichando, preenchendo fichas...Maia chegou a me pedir que o observasse, dizendo
que Chico podia ser uma pessoa infiltrada no movimento pelos fazendeiros. “Ele
é muito sabido”, disse, me procurando depois para corrigir: “Eu
estava errado. O cara é bom mesmo, inteligente e muito consciente do é
preciso fazer na organização”. Chico Mendes foi o mais
sábio interlocutor dos povos da floresta nas articulações
com o povo da cidade. Simpático e simples, transparente nos sentimentos,
até na maneira de vestir-se e de falar, de se comprometer e de agir, fluía
com doçura e verdade. Era incrível como em meio às dificuldades
locais, conseguia pensar e defender soluções amplas como as reservas
extrativistas e os seringueiros autônomos, quando o Incra e a própria
Contag propunham assentamentos em lotes de 50 e 100 hectares, previstos na legislação
agrária do país. Chico foi o grande teórico e prático
da florestania e quem, a partir de seu pequeno mundo chamado Xapuri, espalhou
idéias de vanguarda para a humanidade.
*Elson
Martins, 64 anos, é jornalista acreano. Como repórter regional
de O Estado de S.Paulo, acompanhou a partir 1975 a primeira fase dos conflitos
pela terra no Acre, ajudando a colocar Chico Mendes na mídia local e
nacional. Foi um dos editores do jornal alternativo Varadouro, que tomou partido
da luta dos seringueiros, índios e posseiros a partir de 1978.
A memória da luta de Chico Mendes continua viva em cada ação que respeita a floresta e seus moradores e a cada semente plantada. Assim ele revive na cabeça da juventude que se preocupa com a qualidade de vida do planeta.
A semana Chico Mendes 2007 está integrada ao ano Chico Mendes, que em 2008 marca os 20 anos do seu assassinato. Durante o ano haverá diversos eventos.
Vamos continuar a luta para manter viva a memória do Chico! Clique aqui para a programação da semana Chico Mendes 2007 em Rio Branco, Xapuri e Brasiléia. (arquivo pdf)
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em Dec 07, 07 | 7:22 pm
30 de Mar , 2005
Medalha Chico Mendes de Resistência
Criada, em 1988, por iniciativa do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, a Medalha Chico Mendes de Resistência foi pensada quando o Exército, lembrando os vinte anos do golpe militar de 1964, homenageou com a Medalha do Pacificador, notórios elementos ligados ao aparato de repressão. Estas homenagens realizaram-se no DOI-CODI/RJ, local famoso pelas torturas e assassinatos ocorridos durante os chamados anos de chumbo.
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em Mar 30, 05 | 12:31 pm
13 de Dec , 2004
Chico Mendes na melhor idade
Elson Martins
O líder seringueiro, sindicalista e ativista
ambiental Francisco Alves Mendes Filho,
o Chico Mendes, completaria 60 anos de
idade no próximo dia 15.
Foi assassinado, entretanto, aos 44,
em sua casa na pequena cidade
de Xapuri, no Acre, no dia 22 de
dezembro de 1988.
Sua morte deixou muita saudade,
indignação e pranto, mas repercutiu
em defesa da Amazônia
e dos povos da floresta.
No dia 15 de dezembro de 1944 nasceu em
um seringal de Xapuri, no Acre, uma criança
que quarenta anos depois teve seu nome
conhecido e reconhecido em todo
o planeta Terra.
Neste fim de ano de 2004, Francisco Alves
Mendes Filho, o CHICO MENDES,
completaria sua melhor idade...
Mas apagaram seus olhos, antes que
pudesse ver e festejar o bom resultado
da luta que liderou.
Antes de ir, porém, ele deixou escrita
uma bela mensagem para os jovens do
presente e do futuro.
A cidade de Xapuri reencontra-se com sua identidade e se transforma sem perder substância. Foi a idéia que passou às pessoas que a visitaram na semana passada, durante a programação dos 15 anos da morte do líder seringueiro Chico Mendes.
Leia a integra do artigo do Jornalista Elson Martins clicando no ícone “Ler Notícias”.
Lançamento da vinheta da Campanha Contra a Biopirataria
Foi lançada dia 16 de dezembro, no Teatro Hélio Melo em Rio Branco (AC) a vinheta da Campanha Contra a Biopirataria “Cupuaçu é Nosso”. O Evento fez parte da programação da Semana Chico Mendes e teve início às 19:00h com uma Mesa Redonda com tema “Diálogo dos Saberes: Ciência e Tradição na Floresta”.
A página da Internet da Agência Brasil ( www.radiobras.gov.br )
setor de "Especiais", disponibiliza diversas sonoras de entrevistas
realizadas com pessoas ligadas a Chico Mendes, que estão sendo apresentadas
nos programas Revista Amazônia e Sons da Amazônia, numa produção de Cleide
de Oliveira e condução de Eduardo Mamcasz, os dois da Rádio Nacional da
Amazônia.
A Prefeitura Municipal de Porto Alegre promove de 13 a 21 de dezembro, a Semana Chico Mendes. O evento ocorrerá em comemoração ao aniversário de doze anos do parque e lembrará os 15 anos sem Chico Mendes.
O Parque Chico Mendes está localizado na zona norte de Porto Alegre, Rua Irmão Ildelfonso Luis 240, entre os bairros Jardim Leopoldina e Chácara da Fumaça, ocupando uma área de 24,7 hectares. Foi inaugurado no dia 21 de dezembro de 1991, em referência à data da morte de Chico Mendes, ocorrida no dia 22 de dezembro de 1988.
O Comitê Chico Mendes e outras entidades promovem entre os dias 15 e 22 de dezembro a Semana Chico Mendes com eventos em Rio Branco e Xapuri, no Acre. Acompanhe a programação em notícias.
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em Dec 05, 03 | 11:01 am
30 de Sep , 2003
Conferência Estadual do Meio Ambiente
Acontecerá nos próximos dias 13 e 14 de outubro, no Teatrão, em Rio Branco, a Conferência Estadual do Meio Ambiente, preparatória, inclusive com a escolha de delegados, para a Conferência Nacional do Meio Ambiente, que acontecerá no final de novembro, em Brasília.
Para o encontro que acontecerá em Rio Branco está prevista a vinda da Ministra Marina Silva e de alguns de seus assessores diretos.
A organização da Conferência está por conta do IBAMA/AC, onde podem ser obtidas maiores informações.