"Por achar que
a tribuna da câmara não dá solução para os trabalhadores
e por achar que o político que se compromete com a luta dos trabalhadores
deve estar ao lado deles, decidi, então, ir quebrar castanha para estar
ao lado dos seringueiros".
Na boca de qualquer político
acreano, esta frase sairia atravessada e dificilmente convenceria. Dita, entretanto,
pelo vereador Francisco Mendes, ou Chiquinho Mendes, ela soa natural, espontânea
e convence. Chiquinho Mendes, no dizer de um dirigente da Contag, é o único
político acreano que se pode confiar. Originariamente foi seringueiro,
ajudou a fundar os sindicatos dos trabalhadores rurais de Brasiléia e Xapuri,
elegeu-se vereador pelo MDB de Xapuri e atualmente, voltou ao seringal Porvir
onde está trabalhando, durante o recesso parlamentar, na coleta de castanha.
Foi a maneira que encontrou para passar suas férias. Sua história
de vida é simples e comum como à da grande maioria dos trabalhadores
acreanos. Nasceu no seringal Porto Rico, município de Xapuri, e, aos dez
anos, já trabalhava como seringueiro para sustentar a família, porque
o pai ficou aleijado. Com a morte deste, mudou-se com a mãe para a sede
do município. Mas quando a Contag chegou no Acre e começou a campanha
de sindicalização por Brasiléia, Chiquinho Mendes foi dos
primeiros a se engajar na luta porque, como diz, "antes mesmo que a Contag
chegasse, eu já sentia o problema dos seringueiros explorados pelos patroes
seringalistas e acochados pela polícia quando vendiam a borracha para terceiros
e todas aquelas barbaridades dos seringais do Acre". EM 1975, começa
também a investida dos fazendeiros "paulistas". Em Brasiléia,
quase todos os Seringais foram vendidos para grupos sulistas.
VARADOURO
- Como foi o início do Sindicato? Fácil ou difícil, hein
Chico ?
CHICO MENDES
- Não foi muito difícil porque todo mundo estava vivendo o problema
e a gente já tinha certa orientação para defender a terra.
Mas houve, sim, algumas incompreensões de alguns companheiros e principalmente
pressões dos patrões seringalistas e dos fazendeiros. Diziam que
éramos "um bando de subversivos" e procuravam amedrontar o pessoal.
Em 1976, eleições para vereadores. Em Xapuri, o MDB não conseguiu
completar a lista de candidatos. Então, o hoje deputado estadual e presidente
da Assembléia Legislativa, Félix Pereira, convidou Chiquinho Mendes
para se candidatar. Os dirigentes da Contag não concordaram porque o julgavam
mais necessário junto ao Sindicato, mas no final ficou combinado assim:
"eu me afastaria temporariamente do Sindicato e caso não fosse eleito,
voltaria". Mas fui eleito com os votos e apoio financeiro dos seringueiros
do Porvir que fizeram uma coleta para custear as mínimas despesas da campanha
eleitoral. Nas vésperas das eleições, os adversários
tentaram agredi-lo e até proibiram que Chiquinho distribuísse suas
cédulas.
VARADOURO
- E, agora, você volta a ser seringueiro. O que houve ?
CHICO MENDES - Eu senti o problema da luta
sindical em Xapuri, a pressão dos patrões, dos fazendeiros,' dos
próprios políticos da oposição, pelos quais já
fui acusado até de "agitador".
VARADOURO
- Então, você se desiludiu com a política ?
CHICO MENDES - Não é bem isso.
O problema é que, como político, estava sentindo certa dificuldade
de entrar em contato com os trabalhadores, com o Sindicato. Além disso,
o estatuto do Sindicato não permite que eu, como político, seja
sócio. Pensei, então, que, voltando a ser trabalhador, teria toda
a liberdade de agir. Por achar que a tribuna da Câmara não dá
a solução para o trabalhador e por achar que o político que
realmente se compromete com a luta do trabalhador deve estar ao seu lado, decidi,
então, ir quebrar castanha para estar ao lado dos seringueiros".
VARADOURO
- E não estranhou o "pesado" depois desses anos todos
?
CHICO MENDES - Chiquinho diz
que não porque desde pequeno foi acostumado a pegar no pesado, como os
seringueiros não estranharam sua decisão porque "estou lá
no meio deles como um trabalhador qualquer".
VARADOURO
- E não é difícil conciliar ser político com
ser seringueiro?
CHICO MENDES - É,
não é fácil, porque como seringueiro, a gente fica isolado,
mais preso ao trabalho e não pode se movimentar para acompanhar o trabalho
em outros seringais. Por isso, inclusive, estou pensando em adquirir uma colônia,
que permitira maior movimentação.
VARADOURO
- Mas vai continuar trabalhando ?
CHICO
MENDES - Vou sim. Trabalhando, a gente fica perto do povo e no
momento em que houver qualquer problema, a gente também se apresenta como
um trabalhador, com as mãos calejadas. Problemas, conflitos pela posse
da terra não vão faltar em Xapuri, onde se concentram grandes fazendas,
inclusive a da multinacional Bordon. No início de abril, com o fim do período
das chuvas, chega a época dos grandes desmatamentos e, segundo Chiquinho
Mendes, "o povo vai reagir porque sabe que não pode perder suas posses.
Na Bolívia, os acreanos estão sendo acochados; o Governo boliviano,
pelo que consta, estaria jogando impostos altos sobre seringueiros acreanos para
pressioná-los a voltar para o Brasil".
VARADOURO
- Quer dizer que houve mudança na consciência dos seringueiros?
CHICO MENDES - Sim, a gente sente uma
grande transformação. A grande maioria já está consciente
de que a luta deverá ser outra. Estão decididos a defender seus
direitos, compreenderam que unidos têm força para segurar a terra
e que podem lutar contra o latifúndio. Antes, não sabiam o que fazer
diante do problema, mas com o correr dos tempos, os mais experientes foram conscientizando
os outros, dizendo que a terra é nossa, que foram nossos antepassados que
lutaram para, conquistar esta terra e que hoje é possível fazer
uma nova reconquista, se for preciso".
*Entrevista
concedida por Chico Mendes ao jornal "VARADOURO" nº18, em março
de 1980
A memória da luta de Chico Mendes continua viva em cada ação que respeita a floresta e seus moradores e a cada semente plantada. Assim ele revive na cabeça da juventude que se preocupa com a qualidade de vida do planeta.
A semana Chico Mendes 2007 está integrada ao ano Chico Mendes, que em 2008 marca os 20 anos do seu assassinato. Durante o ano haverá diversos eventos.
Vamos continuar a luta para manter viva a memória do Chico! Clique aqui para a programação da semana Chico Mendes 2007 em Rio Branco, Xapuri e Brasiléia. (arquivo pdf)
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em Dec 07, 07 | 7:22 pm
30 de Mar , 2005
Medalha Chico Mendes de Resistência
Criada, em 1988, por iniciativa do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, a Medalha Chico Mendes de Resistência foi pensada quando o Exército, lembrando os vinte anos do golpe militar de 1964, homenageou com a Medalha do Pacificador, notórios elementos ligados ao aparato de repressão. Estas homenagens realizaram-se no DOI-CODI/RJ, local famoso pelas torturas e assassinatos ocorridos durante os chamados anos de chumbo.
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em Mar 30, 05 | 12:31 pm
13 de Dec , 2004
Chico Mendes na melhor idade
Elson Martins
O líder seringueiro, sindicalista e ativista
ambiental Francisco Alves Mendes Filho,
o Chico Mendes, completaria 60 anos de
idade no próximo dia 15.
Foi assassinado, entretanto, aos 44,
em sua casa na pequena cidade
de Xapuri, no Acre, no dia 22 de
dezembro de 1988.
Sua morte deixou muita saudade,
indignação e pranto, mas repercutiu
em defesa da Amazônia
e dos povos da floresta.
No dia 15 de dezembro de 1944 nasceu em
um seringal de Xapuri, no Acre, uma criança
que quarenta anos depois teve seu nome
conhecido e reconhecido em todo
o planeta Terra.
Neste fim de ano de 2004, Francisco Alves
Mendes Filho, o CHICO MENDES,
completaria sua melhor idade...
Mas apagaram seus olhos, antes que
pudesse ver e festejar o bom resultado
da luta que liderou.
Antes de ir, porém, ele deixou escrita
uma bela mensagem para os jovens do
presente e do futuro.
A cidade de Xapuri reencontra-se com sua identidade e se transforma sem perder substância. Foi a idéia que passou às pessoas que a visitaram na semana passada, durante a programação dos 15 anos da morte do líder seringueiro Chico Mendes.
Leia a integra do artigo do Jornalista Elson Martins clicando no ícone “Ler Notícias”.
Lançamento da vinheta da Campanha Contra a Biopirataria
Foi lançada dia 16 de dezembro, no Teatro Hélio Melo em Rio Branco (AC) a vinheta da Campanha Contra a Biopirataria “Cupuaçu é Nosso”. O Evento fez parte da programação da Semana Chico Mendes e teve início às 19:00h com uma Mesa Redonda com tema “Diálogo dos Saberes: Ciência e Tradição na Floresta”.
A página da Internet da Agência Brasil ( www.radiobras.gov.br )
setor de "Especiais", disponibiliza diversas sonoras de entrevistas
realizadas com pessoas ligadas a Chico Mendes, que estão sendo apresentadas
nos programas Revista Amazônia e Sons da Amazônia, numa produção de Cleide
de Oliveira e condução de Eduardo Mamcasz, os dois da Rádio Nacional da
Amazônia.
A Prefeitura Municipal de Porto Alegre promove de 13 a 21 de dezembro, a Semana Chico Mendes. O evento ocorrerá em comemoração ao aniversário de doze anos do parque e lembrará os 15 anos sem Chico Mendes.
O Parque Chico Mendes está localizado na zona norte de Porto Alegre, Rua Irmão Ildelfonso Luis 240, entre os bairros Jardim Leopoldina e Chácara da Fumaça, ocupando uma área de 24,7 hectares. Foi inaugurado no dia 21 de dezembro de 1991, em referência à data da morte de Chico Mendes, ocorrida no dia 22 de dezembro de 1988.
O Comitê Chico Mendes e outras entidades promovem entre os dias 15 e 22 de dezembro a Semana Chico Mendes com eventos em Rio Branco e Xapuri, no Acre. Acompanhe a programação em notícias.
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em Dec 05, 03 | 11:01 am
30 de Sep , 2003
Conferência Estadual do Meio Ambiente
Acontecerá nos próximos dias 13 e 14 de outubro, no Teatrão, em Rio Branco, a Conferência Estadual do Meio Ambiente, preparatória, inclusive com a escolha de delegados, para a Conferência Nacional do Meio Ambiente, que acontecerá no final de novembro, em Brasília.
Para o encontro que acontecerá em Rio Branco está prevista a vinda da Ministra Marina Silva e de alguns de seus assessores diretos.
A organização da Conferência está por conta do IBAMA/AC, onde podem ser obtidas maiores informações.