O
PROBLEMA AMBIENTAL E O PROCESSO DE OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA OCIDENTAL*
RIO
BRANCO - 30 de novembro de 1988
FRANCISCO MENDES
FILHO - Inicialmente, eu queria agradecer à Campanha Nacional
de Defesa e pelo Desenvolvimento da Amazônia por estar realizando este Fórum
pelo Brasil afora, principalmente na região amazônica. Agradeço,
também, a participação dos expositores que aqui vieram com
o objetivo de colaborar e de contribuir com suas idéias. Como membro
do Conselho Nacional dos Seringueiros, eu gostaria de destacar alguns assuntos
que considero de suma importância. A questão da Amazônia consiste
na defesa dos povos da floresta. Consideramos a questão da Amazônia
um problema sério que não passa mais, hoje, pelo discurso e sim
pela prática que temos que desenvolver daqui para a frente. A Amazônia
está ocupada. Em todos os recantos há índios, há gente
trabalhando, tirando borracha e, ao mesmo tempo, lutando pela conservação
da natureza. É esta realidade que queremos mostrar aqui. Queremos propiciar
uma política que garanta o futuro desses trabalhadores, que há séculos
vivem na Amazônia e a tornam produtiva ao mesmo tempo. Quando se coloca
a questão da defesa da Amazônia, não significa que os seringueiros
e os índios querem conservá-la um santuário intocado. Enquanto
existirem índios e seringueiros na selva amazônica, há esperança
de salvá-la. Esperamos que as pessoas que lutam em defesa da Amazônia
possam realizar um trabalho que, de fato, consiga trazer uma esperança.
Acredito que cada um de nós tem uma missão e um compromisso muito
importante em relação à defesa desta região. Essa
luta não é só dos trabalhadores: ela é de toda a sociedade
brasileira. Temos sido muito criticados, inclusive por setores ligados a áreas
empresariais e latifundiários que dizem que estamos querendo internacionalizar
a Amazônia, ou seja, entregar a região a estrangeiros. Na realidade,
o que existe é a ameaça das grandes madeireiras que são financiadas
por empresas estrangeiras e pelas multinacionais que querem, de qualquer maneira,
a destruição da nossa floresta. Estamos, sim, buscando apoio
a nível internacional, como vêm fazendo o Conselho Nacional de Seringueiros
e outras entidades. Isso porque, infelizmente, na nossa sociedade esse apoio é
muito pequeno. Segundo os cientistas, o problema da destruição
das nossas florestas não afeta só o povo brasileiro mas, sim, os
povos de todo o planeta. Achamos que se trata de uma questão que envolve
toda a sociedade brasileira e toda a comunidade internacional. Hoje, o Conselho
Nacional dos Seringueiros luta ainda pela criação das reservas extrativistas,
que é uma forma, também, de defender a floresta. Esta é a
nossa proposta para justificar esta luta. No 12 Encontro Nacional dos Seringueiros,
realizado em Brasilia, em outubro de 1985, surgiu a idéia de se formar
reservas extrativistas, que é uma maneira de garantir o futuro da Amazônia.
Nós não queremos ser proprietários de terras. Os seringueiros
querem que a floresta passe para o domínio da União e que aqueles
que vivem do extrativismo continuem trabalhando nos seringais. Uma das alternativas
para que isso possa continuar é resolver o problema econômico dos
que moram na beira da floresta. Uma forma estratégica levada a efeito pelo
poder dominante é deixar o homem da floresta numa situação
de miséria para obrigá-lo a deixar a mata. Estamos começando
a nos mobilizar a partir da criação da Primeira Cooperativa Agro-extrativista,
em Xapuri. Nosso objetivo é atingir todas as áreas de reserva extrativista
e, mais tarde, aquelas que não sejam reserva. Assim, estamos começando
a demonstrar que é possível garantir o futuro e a preservação
da Amazônia, tornando-a, ao mesmo tempo, produtiva do ponto de vista econômico.
Até aqui não tivemos ajuda de ninguém. Agora já existe
outra expectativa. Criamos essa cooperativa só com recursos próprios,
ajudados pelos próprios seringueiros. Ficou provado que podemos melhorar
a produção e a situação econômica dos nossos
companheiros de trabalho. Podemos transformar a Amazônia numa região
importante não só para o país como para o mundo. A castanha,
por exemplo, é um produto de grande importância, como sabemos. Um
quilo dessa fruta custa 6 a 7 dólares no exterior. Em São Paulo,
está sendo vendido a Cz$ 2.500,00. Por isso, defendemos a criação
de usinas de beneficianiento da castanha, assim como da borracha. Nós
sabemos que existe o objetivo de desestabilizar a produção de borracha.
Para isso, persegue-se o homem da floresta para justificar as tentativas do latifúndio
de destruir a Amazônia. Acreditamos na nossa força e no apoio
da sociedade brasileira e das comunidades internacionais, principalmente as científicas.
Precisamos mostrar essa realidade às autoridades brasileiras. A castanha,
a borracha e outros produtos extrativistas têm grande valor para o nosso
país mas, para que isso possa continuar existindo, precisamos preservar
a floresta. Sabemos que existe a política que pretende desestabilizar
a borracha para exportação. Nosso objetivo é defender não
só a borracha mas todos os produtos vegetais que existem na floresta amazônica
que, até hoje, escaparam do processo de industrialização
predatória. Somos a favor de uma política de industrialização
para exportação, mas dentro de um processo preservacionista. Temos
vários produtos de grande valor e uma grande variedade de recursos que
precisariam passar por uma pesquisa, o que até hoje não foi feito.
Queremos que isso seja feito e que se leve em conta as reservas extrativistas.
Tem muita gente apostando no fracasso dessas reservas para facilitar o processo
de especulação da terra e atender aos interesses dos latifundiários.
Não quero me alongar, porque vamos ouvir a palavra do Professor Valverde,
que tem dado uma contribuição enorme à luta pela preservação
da floresta amazônica. E também vamos ouvir a exposição
da Dra. Otília, que é responsável pela política do
MIRAD. Seria muito importante se o MIRAD desapropriasse algumas áreas que
seriam reservas extrativistas. Mas chamamos a atenção para o fato
de que são investidos milhões em empreendimentos prejudiciais à
Amazônia, e a milhares de trabalhadores. Nós criticamos a atuação
do MIRAD quando ele exerce uma política que não beneficia os trabalhadores.
Muitas vezes o MIRAD desapropria terras de proprietários que estão
querendo isso mesmo, porque o seu valor é insignificante e eles pegam o
dinheiro para aplicar. Acontece que esse dinheiro é pago pelos cofres públicos
- dinheiro esse gerado pelos trabalhadores. Os seringueiros não ganham
nada com isso, apesar de tornarem esta terra produtiva há séculos
e, antes de nós, os índios o faziam. Chega uma pessoa e diz que
é dono da terra. O governo desapropria e paga uma soma enorme que vem dos
cofres públicos. Todos conhecem as áreas de conflito de Cachoeira,
Xapuri e outras. Achamos que o governo deve apenas pagar as benfeitorias dessas
propriedades e nada mais. No sul do Pará, por exemplo, destruíram
os castanhais e depois as terras foram desapropriadas. Como é que o Conselho
Nacional de Seringueiros vai defender uma reserva extrativista no sul do Pará,
onde os castanhais foram destruídos? Tudo isso faz parte de uma política
de especulação da terra que só tem beneficiado os latifundiários
e as grandes multinacionais. Considero este encontro da maior importância
e espero que esses assuntos sejam discutidos com a participação
de todos.
*Conferência
proferida durante o Fórum Nacional de Debates sobre a Amazônia e
publicada na revista "A AMAZÔNIA BRASILIRA EM FOCO" (CNDDA) nº
18 (89/90)
A memória da luta de Chico Mendes continua viva em cada ação que respeita a floresta e seus moradores e a cada semente plantada. Assim ele revive na cabeça da juventude que se preocupa com a qualidade de vida do planeta.
A semana Chico Mendes 2007 está integrada ao ano Chico Mendes, que em 2008 marca os 20 anos do seu assassinato. Durante o ano haverá diversos eventos.
Vamos continuar a luta para manter viva a memória do Chico! Clique aqui para a programação da semana Chico Mendes 2007 em Rio Branco, Xapuri e Brasiléia. (arquivo pdf)
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em Dec 07, 07 | 7:22 pm
30 de Mar , 2005
Medalha Chico Mendes de Resistência
Criada, em 1988, por iniciativa do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, a Medalha Chico Mendes de Resistência foi pensada quando o Exército, lembrando os vinte anos do golpe militar de 1964, homenageou com a Medalha do Pacificador, notórios elementos ligados ao aparato de repressão. Estas homenagens realizaram-se no DOI-CODI/RJ, local famoso pelas torturas e assassinatos ocorridos durante os chamados anos de chumbo.
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em Mar 30, 05 | 12:31 pm
13 de Dec , 2004
Chico Mendes na melhor idade
Elson Martins
O líder seringueiro, sindicalista e ativista
ambiental Francisco Alves Mendes Filho,
o Chico Mendes, completaria 60 anos de
idade no próximo dia 15.
Foi assassinado, entretanto, aos 44,
em sua casa na pequena cidade
de Xapuri, no Acre, no dia 22 de
dezembro de 1988.
Sua morte deixou muita saudade,
indignação e pranto, mas repercutiu
em defesa da Amazônia
e dos povos da floresta.
No dia 15 de dezembro de 1944 nasceu em
um seringal de Xapuri, no Acre, uma criança
que quarenta anos depois teve seu nome
conhecido e reconhecido em todo
o planeta Terra.
Neste fim de ano de 2004, Francisco Alves
Mendes Filho, o CHICO MENDES,
completaria sua melhor idade...
Mas apagaram seus olhos, antes que
pudesse ver e festejar o bom resultado
da luta que liderou.
Antes de ir, porém, ele deixou escrita
uma bela mensagem para os jovens do
presente e do futuro.
A cidade de Xapuri reencontra-se com sua identidade e se transforma sem perder substância. Foi a idéia que passou às pessoas que a visitaram na semana passada, durante a programação dos 15 anos da morte do líder seringueiro Chico Mendes.
Leia a integra do artigo do Jornalista Elson Martins clicando no ícone “Ler Notícias”.
Lançamento da vinheta da Campanha Contra a Biopirataria
Foi lançada dia 16 de dezembro, no Teatro Hélio Melo em Rio Branco (AC) a vinheta da Campanha Contra a Biopirataria “Cupuaçu é Nosso”. O Evento fez parte da programação da Semana Chico Mendes e teve início às 19:00h com uma Mesa Redonda com tema “Diálogo dos Saberes: Ciência e Tradição na Floresta”.
A página da Internet da Agência Brasil ( www.radiobras.gov.br )
setor de "Especiais", disponibiliza diversas sonoras de entrevistas
realizadas com pessoas ligadas a Chico Mendes, que estão sendo apresentadas
nos programas Revista Amazônia e Sons da Amazônia, numa produção de Cleide
de Oliveira e condução de Eduardo Mamcasz, os dois da Rádio Nacional da
Amazônia.
A Prefeitura Municipal de Porto Alegre promove de 13 a 21 de dezembro, a Semana Chico Mendes. O evento ocorrerá em comemoração ao aniversário de doze anos do parque e lembrará os 15 anos sem Chico Mendes.
O Parque Chico Mendes está localizado na zona norte de Porto Alegre, Rua Irmão Ildelfonso Luis 240, entre os bairros Jardim Leopoldina e Chácara da Fumaça, ocupando uma área de 24,7 hectares. Foi inaugurado no dia 21 de dezembro de 1991, em referência à data da morte de Chico Mendes, ocorrida no dia 22 de dezembro de 1988.
O Comitê Chico Mendes e outras entidades promovem entre os dias 15 e 22 de dezembro a Semana Chico Mendes com eventos em Rio Branco e Xapuri, no Acre. Acompanhe a programação em notícias.
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em Dec 05, 03 | 11:01 am
30 de Sep , 2003
Conferência Estadual do Meio Ambiente
Acontecerá nos próximos dias 13 e 14 de outubro, no Teatrão, em Rio Branco, a Conferência Estadual do Meio Ambiente, preparatória, inclusive com a escolha de delegados, para a Conferência Nacional do Meio Ambiente, que acontecerá no final de novembro, em Brasília.
Para o encontro que acontecerá em Rio Branco está prevista a vinda da Ministra Marina Silva e de alguns de seus assessores diretos.
A organização da Conferência está por conta do IBAMA/AC, onde podem ser obtidas maiores informações.